Finalizei com muita alegria o mês, contando histórias no shopping Higienopólis e em Alphaville, lá deixei dragões, príncipes, princesas, lobos e caçadores... e já iniciei em 01/04, as histórias desse mês.
As crianças foram ótimas... teve protesto e até pedido de greve com grito de guerra: VIVA O PUM, VIVA O PUM, VIVA O PUM... foi bem divertido. As estrelinhas brilharam (e vão brilhar durante todo o mês), até o Porcolas se conformou com sua triste sina.
Que venha Abril com a força das histórias.
" Quando o coração da gente transborda, ele sai pela boca em forma de histórias. " ditado etíope
segunda-feira, 2 de abril de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Boca do Céu 2012
Queridos amigos, participantes do Boca do Céu e todos que nos enviaram mensagens:
Infelizmente comunicamos a todos que, apesar de nossos esforços, não foi possível captar os recursos financeiros necessários para a realização do Encontro Internacional Boca do Céu de Contadores de Histórias no mês de maio, conforme estava previsto.
Desde janeiro de 2011, trabalhamos incansavelmente na preparação dos conteúdos do nosso Encontro, na busca dos melhores fornecedores e colaboradores, na realização de parcerias institucionais e nos detalhes da produção propriamente dita. No entanto, no último momento fomos surpreendidos pela inviabilidade do patrocínio.
Estamos confiantes que será possível realizar o Boca do Céu ainda este ano. Diante da proximidade da data inicialmente prevista, e em respeito a todos os convidados e participantes, consideramos prudente adiar o Encontro para o mês de setembro, de modo que possamos garantir que o ele aconteça em sua totalidade e sem perda de qualidade.
Sentimos muito por tudo que esse adiamento significa para tantas pessoas e esperamos contar com sua compreensão e com sua presença em setembro.
Atenciosamente,
Regina Machado e Equipe do Boca do Céu
domingo, 25 de março de 2012
Olá meus queridos, acabo de voltar de Campinas e está ficando cada vez melhor... contei histórias no Shopping Galleria e a galera de lá está afinadinha com as histórias e no Shopping Iguatemi até os adultos participaram, abaixo algumas fotos desse público tão lindo que me ajudou bastante adivinhou todas as histórias da tarde e aprenderam o que são recontos.
sábado, 24 de março de 2012
Programação Cia. Ilimitada
Próximos eventos:
TARDE DO CONTO com VIVIAN CATENACCI
"CANTANDO HISTÓRIAS"
Contos cantados, repetitivos ou acumulativos da tradição oral brasileira.
- para adultos e crianças -
R$ 4,00
_______________________________________________
29/03/12 - 5ª feira, às 9 e às 10 horas
ENCONTRO COM O AUTOR GIBA PEDROZA
Giba contará histórias e quadrinhas de seus livros:
"A LENDA DO PREGUIÇOSO E OUTRAS HISTÓRIAS" e "ALECRIM DOURADO E OUTROS CHEIRINHOS DE AMOR"
Contaremos com a presença de alunos da ESCOLA EDUARDO PRADO
- evento gratuito -
Apoio: EDITORA CORTEZ
__________________________________
DESCONTO DE 15% (cheque ou $) ou 10% (cartão) nos livros das
editoras MODERNA e SALAMANDRA até 31/03/12.
Curso Chamem os Clowns com Lígia Ruvenalth
Ministrante dos cursos: Lígia Maria Ruvenalth é Atriz, Curadora de Artes Plástica, Diretora e pesquisadora de Folclore, das Artes Cênicas, e se especializou na menor máscara do mundo, o nariz do Clown. Em seus trinta anos de profissão já participaram da descoberta de muitos Clowns que hoje participam e aprimoram suas técnicas em seu projeto TRIPE (Teatro Referência Integral Para Educação) Foi Aluna de Augusto Boal (Teatro do Invisível e do Oprimido), Instituto Goethe, Espaço Loyal. Em sua metodologia para Chamar os Clowns aplica o Método, Faça-me Rir.
O curso: Conteúdo.
a) Consistem em uma parte introdutória teórica, exercícios físicos e práticos.
b) A dinâmica corporal.
c) Postura cênica e recursos utilizados no gênero.
d) Utilização da maquiagem em conjunto com a caracterização.
Objetivo: Tomar conhecimento do gênero espetacular Clown e a partir daí começar a busca pelo seu clown embrião adormecida. O trabalho é de dentro para fora.
Oferece certificado, apostila sucinta sobre Clown e apostila sobre onomatopeia.
MATERIAL DO CURSO.
- Tesoura.
- Roupa para cortar, bermuda ou calça, mais camiseta ou blusa, pode ser vestido para as (a).
- Nariz de Clown (não usá-lo antes do ritual do nariz).
- Mala e bengala para o Clown
- Caderno de anotações.
- Espelho (tipo borda cor de laranja).
Público Alvo: Interessados em Clown.
Local: Praça - metro Jardim São Paulo - estação após Santana.
Datas: 04, 05, 11, 12, 18 e 19 de abril de 2012 as quartas e quintas - feiras.
Horário: das 19 as 22h00.
Investimento: R$180,00.
PARA TODOS OS CURSOS.
INSCRIÇÕES ABERTA, COMO FAZER? POR E-mail OU MARCANDO HORA, RUA CONCEIÇÃO DA BARRA, 127 A Jd. São Paulo.
Inscrições, e tirar duvidam sobre o curso.
projetotripe@yahoo.com.br
ligiaruvenalth@gmail.com
Número de participantes: 20 pessoas.
NÃO HAVERÁ INSCRIÇÕES NOS DIAS DOS CURSOS.
O curso: Conteúdo.
a) Consistem em uma parte introdutória teórica, exercícios físicos e práticos.
b) A dinâmica corporal.
c) Postura cênica e recursos utilizados no gênero.
d) Utilização da maquiagem em conjunto com a caracterização.
Objetivo: Tomar conhecimento do gênero espetacular Clown e a partir daí começar a busca pelo seu clown embrião adormecida. O trabalho é de dentro para fora.
Oferece certificado, apostila sucinta sobre Clown e apostila sobre onomatopeia.
MATERIAL DO CURSO.
- Tesoura.
- Roupa para cortar, bermuda ou calça, mais camiseta ou blusa, pode ser vestido para as (a).
- Nariz de Clown (não usá-lo antes do ritual do nariz).
- Mala e bengala para o Clown
- Caderno de anotações.
- Espelho (tipo borda cor de laranja).
Público Alvo: Interessados em Clown.
Local: Praça - metro Jardim São Paulo - estação após Santana.
Datas: 04, 05, 11, 12, 18 e 19 de abril de 2012 as quartas e quintas - feiras.
Horário: das 19 as 22h00.
Investimento: R$180,00.
PARA TODOS OS CURSOS.
INSCRIÇÕES ABERTA, COMO FAZER? POR E-mail OU MARCANDO HORA, RUA CONCEIÇÃO DA BARRA, 127 A Jd. São Paulo.
Inscrições, e tirar duvidam sobre o curso.
projetotripe@yahoo.com.br
ligiaruvenalth@gmail.com
Número de participantes: 20 pessoas.
NÃO HAVERÁ INSCRIÇÕES NOS DIAS DOS CURSOS.
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"Despreocupados, zombadores, brutais, assim nos quer a sabedoria. Ela é uma mulher e só gosta de guerreiro." Assim falava Zaratrustra (Nietzsche)
quinta-feira, 22 de março de 2012
O que não pode morrer nunca... Clarissa Pinkola Estés - parte IV
Noite após noite, o pinheiro permitia essa entrega. Era tão completa sua alegria por ser útil e ter vida desse modo que ele queimou e queimou até não restar mais nada dele, a não ser as cinzas que jaziam no fundo da lareira.
Quando estava sendo varrido da lareira pelos velhos, pensou que sua vida fora gloriosa, mais do que esperara, só que agora a nada poderia aspirar.
O casal de velhos era muito cuidadoso e, com sua mãos velhas e sábias, varreu delicadamente cada fragmento de cinzas da lareira. Puseram as cinzas num saco macio e muito usado e o guardaram até a chegada da primavera.
Quando a terra começou a se aquecer, o velho e a velha trouxeram para fora de casa o saco de cinzas, entraram pelos jardins e campos e espalharam cuidadosamente as cinzas do pinheiro por todas as videiras e também por todas as suas terras. Eles misturaram as cinzas do pinheiro ao solo. Com o tempo, quando as chuvas e o sol da primavera chegaram para ficar, as cinzas sentiram sinais de vida por baixo delas.
Aqui e acolá, por baixo, através e em volta das cinzas, surgiam minúsculos brotos verdes das entranhas do solo, e o pinheiro deu milhares de sorrisos e milhares de suspiros na sua felicidade por voltar a ser útil.
"Ai, eu não sabia que podia virar um monte de cinzas e ainda assim voltar a produzir tanta vida nova. Que sorte enorme coube à minha vida. Cresci no isolamento da floresta. Mais tarde, que blos dias e noites de copos a tilintar, de luz de velas e cantorias eu vim a conhecer. Na minha época de solidão e carência, na mais escura das noites, tive a amizade de estranhos, como se fôssemos uma só família, ou até mais do que isso. Mesmo quando estava sendo dilacerado pelo fogo, descobri que podia emitir imensa luz e calor do meu próprio coração. Que sorte, como fui afortunado.
"Ah", suspirou o pinheiro, "de tudo que cresce, cai e cresce novamente, é só o amor pela vida nova, e apenas ele, que dura para sempre. Agora estou em toda a parte. Está vendo como vou longe?"
Naquela noite, quando a grande estrela cruzava o céu noturno do universo, o pinheiro jazia sobre a terra abençoada, aninhando-se junto às raízes e sementes para aquecê-las com suas próprias cinzas, nutrindo para sempre todas as coisas que crescem; e essas, por sua vez, nutrindo outras, que por sua vez nutririam ainda outras, por todas as gerações futuras. Naquela lindíssima terra, da qual ele vinha e para a qual agora voltava, ele dormiu bem e teve sonhos profundos, cercado ali - como um dia estivera cercado antes no meio da floresta - por aquilo que é muito maior, mais majestoso e muito mais antigo do que jamais se conheceu.
"Não existe nada que não tenha valor. Tudo pode ser usado para alguma coisa. No jardim de Deus, há uma utilidade para tudo e para todos."
E assim, terminamos essa lindíssima história que deixa uma escuta toda particular, para mim e para vocês.
Quando estava sendo varrido da lareira pelos velhos, pensou que sua vida fora gloriosa, mais do que esperara, só que agora a nada poderia aspirar.
O casal de velhos era muito cuidadoso e, com sua mãos velhas e sábias, varreu delicadamente cada fragmento de cinzas da lareira. Puseram as cinzas num saco macio e muito usado e o guardaram até a chegada da primavera.
Quando a terra começou a se aquecer, o velho e a velha trouxeram para fora de casa o saco de cinzas, entraram pelos jardins e campos e espalharam cuidadosamente as cinzas do pinheiro por todas as videiras e também por todas as suas terras. Eles misturaram as cinzas do pinheiro ao solo. Com o tempo, quando as chuvas e o sol da primavera chegaram para ficar, as cinzas sentiram sinais de vida por baixo delas.
Aqui e acolá, por baixo, através e em volta das cinzas, surgiam minúsculos brotos verdes das entranhas do solo, e o pinheiro deu milhares de sorrisos e milhares de suspiros na sua felicidade por voltar a ser útil.
"Ai, eu não sabia que podia virar um monte de cinzas e ainda assim voltar a produzir tanta vida nova. Que sorte enorme coube à minha vida. Cresci no isolamento da floresta. Mais tarde, que blos dias e noites de copos a tilintar, de luz de velas e cantorias eu vim a conhecer. Na minha época de solidão e carência, na mais escura das noites, tive a amizade de estranhos, como se fôssemos uma só família, ou até mais do que isso. Mesmo quando estava sendo dilacerado pelo fogo, descobri que podia emitir imensa luz e calor do meu próprio coração. Que sorte, como fui afortunado.
"Ah", suspirou o pinheiro, "de tudo que cresce, cai e cresce novamente, é só o amor pela vida nova, e apenas ele, que dura para sempre. Agora estou em toda a parte. Está vendo como vou longe?"
Naquela noite, quando a grande estrela cruzava o céu noturno do universo, o pinheiro jazia sobre a terra abençoada, aninhando-se junto às raízes e sementes para aquecê-las com suas próprias cinzas, nutrindo para sempre todas as coisas que crescem; e essas, por sua vez, nutrindo outras, que por sua vez nutririam ainda outras, por todas as gerações futuras. Naquela lindíssima terra, da qual ele vinha e para a qual agora voltava, ele dormiu bem e teve sonhos profundos, cercado ali - como um dia estivera cercado antes no meio da floresta - por aquilo que é muito maior, mais majestoso e muito mais antigo do que jamais se conheceu.
"Não existe nada que não tenha valor. Tudo pode ser usado para alguma coisa. No jardim de Deus, há uma utilidade para tudo e para todos."
E assim, terminamos essa lindíssima história que deixa uma escuta toda particular, para mim e para vocês.
quarta-feira, 21 de março de 2012
O que não pode morrer nunca... Clarissa Pinkola Estés - parte III
O pai entrou então, com passos pesados, e tirou todos os enfeites do pinheiro, guradando-os em caixas com camadas de enchimento de algodão.
Depois, tirou a árvore da água e a sacudiu com tanta força que qualquer outra coisa que pudesse estar escondida nos galhos cairia ao chão. Ele deixou as guirlandas de frutinhas secas na árvore e a arrastou da sala.
O pinheiro, apesar de surpreso com esse tratamento grosseiro, ainda estava esperançoso. "Ah, eu me pergunto para que sala iremos agora." Ele imaginou todo o processo jubiloso da decoração, dos presentes, das crianças dançando e de todos cantando, e suspirou ao pensar nisso tudo.
O pai, no entanto, arrastou de maneira descuidada o pinheiro pela escada de madeira acima, que não parava de subir e cujos degraus iam se estreitando cada vez mais quanto mais eles subiam. E afinal, no patamar mais alto, o pai abriu uma pequena porta e, sem cerimônia, jogou a árvore lá dentro. A árvore exclamou alarmada no que lhe pareceu um grande grito: "Que tipo de escuridão é esta?" Mas a verdade é que ninguém pareceu ouvir, pois o pai fechou a porta e desceu de volta pela escada.
... Pois, você sabe, nesse quartinho frio no sótão, não havia luz a não ser por uma janelinha embaçada na lateral do telhado, através da qual brilhava aquela estrela enorme.
"Ai, pobre de mim", pensou o pinheiro, tateando todos os galhos para ver se havia alguma fratura. "O que eu fiz para ser abandonado num lugar tão frio e solitário?"
Mas ninguém ouviu. E ali o pinheiro ficou muitos dias e muitas noites.
Certa noite, porém, com o canto do olho, o pinheiro viu quatro pontos vermelhos reluzentes. Eram os olhos de dois ratinhos minúsculos que ocupavam as paredes do sótão. "Ah", disse-lhes, em voz baixa, "ah, minhas senhoras, sabem me dizer quando virão me buscar, quando voltarei para a sala especial?" O camundongo de macacão e cachecol começou a rir e a gaguejar: "V-v-v-v-vir para levar você de volta para a sala especial?" Ha, ha, ha."
Mas o outro camundongo, de vestidinho e avental branco, cutucou o companheiro e falou com a árvore com gentileza: "Querida árvore, ora, você teve uma vida boa, não teve?"
"Tive", concordou a árvore, com tristeza.
"Ah, sei que você sentia ter nascido para essa vida, tanto que não desejava que ela mudasse. Mas...", e nesse ponto ela afagou a árvore, "todas as coisas, árvore querida, mesmo as coisas boas, têm seu fim."
"Esta época precisa terminar?", indagou o pinheiro.
"Sim", respondeu o camundongo, erguendo a mão e acariciando-a novamente. "Essa época já terminou. Mas agora começa um tempo diferente. Uma nova vida, um tipo de vida diferente sempre se segue à antiga. Você vai ver."
E os dois camundongos fizeram companhia à árvore a noite inteira. Contaram histórias e cantaram todas as músicas que conheciam. O pinheiro perguntou se os camundongos não gostariam de subir nos seus galhos para se aquecer, e eles disseram que sim, muito obrigado, e subiram. Juntos eles dormiram durante a noite escura com a grande estrela lá fora se aproximando cada vez mais da janela, quase como se soubesse de seus destinos e, com pena, lançasse sua luz ainda mais sobre eles.
Pela manhã, o pinheiro e os camundongos foram despertados abruptamente pelo ruído de passos pesados na escada, e o casal de camundongos saltou dos galhos do pinheiro. "Adeus, querido amigo. Lembres-se de nós como nós nos lembraremos de você e da sua bondade." E os camundongos correram para a fresta na parede.
"E eu, de vocês", exclamou a árvore. "Eu me lembrarei de vocês."
A porta do sótão foi aberta com violência, e o pai, usando um gorro de lã e um sobretudo, agarrou o pinheiro e o arrastou pela longa escada abaixo, pela porta, até o quintal. Ali, deitou o pinheiro num toco velho e ergueu muito alto um machado enorme, que caiu na árvore com o mais terrível dos pesos, provocando os ruiídos mais medonhos de madeira dilacerada. Com o primeiro golpe, a árvore achou que ia morrer com a dor, e antes do segundo já estava inconsciente.
Muito tempo depois, o pinheiro acordou novamente no canto da sala especial e, embora não se sentisse muito bem, parecia que lhe faltavam apenas sua copa verde e que seus braços estavam arrumados de um modo totalmente diferente, em pedaços. No entanto, viu, nas poltronas diante da lareira, o velho casal à casa, vindo da floresta. Eram eles que haviam banhado seu ferimento com água fresca. Ali estavam eles, bem juntinhos diante do fogo. Apesar do seu estado, o pinheiro sorriu com o amor que via entre os dois.
O velho levantou-se e jogou um dos braços do pinheiro no fogo. Embora de início o pinheiro resistisse e protestasse, logo compreendeu, enquanto a chama queimava cada vez mais fundo no seu coração, que aquela era sua alegre missão no mundo - dar calor para pessoas como essas. Ah, se aquecido de dentro para fora pelo amor, e de fora para dentro pelo amor de alguém como ele.
O pinheiro ardeu então com uma força ainda maior. "Ah, nunca pensei que pudesse queimar com tanto brilho, que pudesse encher uma sala com tanto calor. Amo esses velhos com todo o meu coração." O pinheiro e todos os nós na sua madeira - e no seu cerne - explodiam de alegria nas chamas.
"Saia para o campo para chorar porque lá suas lágrimas vão fazer bem tanto a você quanto à terra."
... amanhã continuamos....
Depois, tirou a árvore da água e a sacudiu com tanta força que qualquer outra coisa que pudesse estar escondida nos galhos cairia ao chão. Ele deixou as guirlandas de frutinhas secas na árvore e a arrastou da sala.
O pinheiro, apesar de surpreso com esse tratamento grosseiro, ainda estava esperançoso. "Ah, eu me pergunto para que sala iremos agora." Ele imaginou todo o processo jubiloso da decoração, dos presentes, das crianças dançando e de todos cantando, e suspirou ao pensar nisso tudo.
O pai, no entanto, arrastou de maneira descuidada o pinheiro pela escada de madeira acima, que não parava de subir e cujos degraus iam se estreitando cada vez mais quanto mais eles subiam. E afinal, no patamar mais alto, o pai abriu uma pequena porta e, sem cerimônia, jogou a árvore lá dentro. A árvore exclamou alarmada no que lhe pareceu um grande grito: "Que tipo de escuridão é esta?" Mas a verdade é que ninguém pareceu ouvir, pois o pai fechou a porta e desceu de volta pela escada.
... Pois, você sabe, nesse quartinho frio no sótão, não havia luz a não ser por uma janelinha embaçada na lateral do telhado, através da qual brilhava aquela estrela enorme.
"Ai, pobre de mim", pensou o pinheiro, tateando todos os galhos para ver se havia alguma fratura. "O que eu fiz para ser abandonado num lugar tão frio e solitário?"
Mas ninguém ouviu. E ali o pinheiro ficou muitos dias e muitas noites.
Certa noite, porém, com o canto do olho, o pinheiro viu quatro pontos vermelhos reluzentes. Eram os olhos de dois ratinhos minúsculos que ocupavam as paredes do sótão. "Ah", disse-lhes, em voz baixa, "ah, minhas senhoras, sabem me dizer quando virão me buscar, quando voltarei para a sala especial?" O camundongo de macacão e cachecol começou a rir e a gaguejar: "V-v-v-v-vir para levar você de volta para a sala especial?" Ha, ha, ha."
Mas o outro camundongo, de vestidinho e avental branco, cutucou o companheiro e falou com a árvore com gentileza: "Querida árvore, ora, você teve uma vida boa, não teve?"
"Tive", concordou a árvore, com tristeza.
"Ah, sei que você sentia ter nascido para essa vida, tanto que não desejava que ela mudasse. Mas...", e nesse ponto ela afagou a árvore, "todas as coisas, árvore querida, mesmo as coisas boas, têm seu fim."
"Esta época precisa terminar?", indagou o pinheiro.
"Sim", respondeu o camundongo, erguendo a mão e acariciando-a novamente. "Essa época já terminou. Mas agora começa um tempo diferente. Uma nova vida, um tipo de vida diferente sempre se segue à antiga. Você vai ver."
E os dois camundongos fizeram companhia à árvore a noite inteira. Contaram histórias e cantaram todas as músicas que conheciam. O pinheiro perguntou se os camundongos não gostariam de subir nos seus galhos para se aquecer, e eles disseram que sim, muito obrigado, e subiram. Juntos eles dormiram durante a noite escura com a grande estrela lá fora se aproximando cada vez mais da janela, quase como se soubesse de seus destinos e, com pena, lançasse sua luz ainda mais sobre eles.
Pela manhã, o pinheiro e os camundongos foram despertados abruptamente pelo ruído de passos pesados na escada, e o casal de camundongos saltou dos galhos do pinheiro. "Adeus, querido amigo. Lembres-se de nós como nós nos lembraremos de você e da sua bondade." E os camundongos correram para a fresta na parede.
"E eu, de vocês", exclamou a árvore. "Eu me lembrarei de vocês."
A porta do sótão foi aberta com violência, e o pai, usando um gorro de lã e um sobretudo, agarrou o pinheiro e o arrastou pela longa escada abaixo, pela porta, até o quintal. Ali, deitou o pinheiro num toco velho e ergueu muito alto um machado enorme, que caiu na árvore com o mais terrível dos pesos, provocando os ruiídos mais medonhos de madeira dilacerada. Com o primeiro golpe, a árvore achou que ia morrer com a dor, e antes do segundo já estava inconsciente.
Muito tempo depois, o pinheiro acordou novamente no canto da sala especial e, embora não se sentisse muito bem, parecia que lhe faltavam apenas sua copa verde e que seus braços estavam arrumados de um modo totalmente diferente, em pedaços. No entanto, viu, nas poltronas diante da lareira, o velho casal à casa, vindo da floresta. Eram eles que haviam banhado seu ferimento com água fresca. Ali estavam eles, bem juntinhos diante do fogo. Apesar do seu estado, o pinheiro sorriu com o amor que via entre os dois.
O velho levantou-se e jogou um dos braços do pinheiro no fogo. Embora de início o pinheiro resistisse e protestasse, logo compreendeu, enquanto a chama queimava cada vez mais fundo no seu coração, que aquela era sua alegre missão no mundo - dar calor para pessoas como essas. Ah, se aquecido de dentro para fora pelo amor, e de fora para dentro pelo amor de alguém como ele.
O pinheiro ardeu então com uma força ainda maior. "Ah, nunca pensei que pudesse queimar com tanto brilho, que pudesse encher uma sala com tanto calor. Amo esses velhos com todo o meu coração." O pinheiro e todos os nós na sua madeira - e no seu cerne - explodiam de alegria nas chamas.
"Saia para o campo para chorar porque lá suas lágrimas vão fazer bem tanto a você quanto à terra."
... amanhã continuamos....
terça-feira, 20 de março de 2012
Agenda desse mês, comigo nas lojas Saraiva
Um mês com muitas histórias pra mim, iniciou no último sábado.
Fiz um esquenta em reunião com o grupo de voluntários do Viva e Deixe Viver, do qual eu faço parte na AACD, foi bem legal contar histórias imortalizadas pela tradição oral de contos clássicos, mas dessa vez, recontados a partir do ponto de vista de personagens que nas histórias "originais" quase nem apareciam... a bela adormecida, ganhou muitos amigos dragões; o João e a Maria, tiveram como personagem principal um passarinhozinhoinhoinhoinho contando sua história, e um caçador que resolve ser padeiro?
Depois, fui contar histórias na livraria Saraiva do Shopping da Moóca, pela Editora Nobel, projeto "A Hora da Criança Zastras" foi linda a participação das crianças, "casa lotada". Brincamos de que história é essa? Fizemos roda e uma das meninas que assistiam falou para o pai: - Ta tudo bagunçado nessas histórias, que engraçado!
Infelizmente, no shopping não tirei fotos, mas na AACD, tem algumas.
Para o próximo final de semana, Campinas me aguarda. Shoppings Galleria e Iguatemi.
Fiz um esquenta em reunião com o grupo de voluntários do Viva e Deixe Viver, do qual eu faço parte na AACD, foi bem legal contar histórias imortalizadas pela tradição oral de contos clássicos, mas dessa vez, recontados a partir do ponto de vista de personagens que nas histórias "originais" quase nem apareciam... a bela adormecida, ganhou muitos amigos dragões; o João e a Maria, tiveram como personagem principal um passarinhozinhoinhoinhoinho contando sua história, e um caçador que resolve ser padeiro?
Depois, fui contar histórias na livraria Saraiva do Shopping da Moóca, pela Editora Nobel, projeto "A Hora da Criança Zastras" foi linda a participação das crianças, "casa lotada". Brincamos de que história é essa? Fizemos roda e uma das meninas que assistiam falou para o pai: - Ta tudo bagunçado nessas histórias, que engraçado!
Infelizmente, no shopping não tirei fotos, mas na AACD, tem algumas.
O que não pode morrer nunca... Clarissa Pinkola Estés -parte II
Afinal, quando ia escurecendo, o trenó com a família e a árvore no reboque estacionou diante de um chalé coberto de neve. Um velho e uma velha saíram pela neve adentro e se aproximaram do reboque, exclamando: "Que árvore linda, linda, tão alta e tão cheia. Do tamanho exato. Perfeita".
"Ah", pensou o pinheiro, "como é bom ser bem-vindo. Eu me pergunto se este não é o lugar onde alguns dos meus vieram ao longo dos anos. Ah, espero voltar a vê-los em breve."
Os velhos o tiraram do reboque com mãos cuidadosas. Eles o admiraram, o afagaram, virando-o de um lado e do outro. Mergulharam o tronco cortado da árvore num balde de água fresca que aliviou grande parte da sua dor.
E quando apagaram os lampiões, o pinheiro, que amava a profunda escuridão da floresta, começou a amar também a escuridão daquela casa. Apesar de estar acostumado a ver o céu noturno inteiro, cheio de estrelas, e agora só enxergar um pedacinho de céu através de uma pequena vidraça na janela, havia uma estrela que cintilava mais do que as outras. Ao vê-la, o pinheiro pressentiu a promessa de que muito ainda estava por acontecer.
Com esses pensamentos, ele, como o restante da casa, logo adormeceu num sono profundo e feliz.
Bem cedo na manhã do dia seguinte, houve muito barulho e rebuliço com todo mundo se cumprimentando, se queixando e tagarelando. Alguém estava tirando a poeira do balde de aparas de lenha para enchê-lo ruidosamente. Os cachorros entraram latindo de alegria, seguidos pelas crianças, depois a mãe e o pai, os mais velhos e também outras crianças e amigos, todos trazendo muitas caixas.
A árvore esperava, literalmente prendendo a respiração de tanta emoção.
As pessoas tiraram as tampas das caixas, e dentro delas havia enfeites de todos os formatos e tamanhos, feitos de vidro finíssimo. Havia guirlandas de frutinhas e velas com pequenos papéis coloridos em copinhos de vidro.
Em toda a sua volta, a árvore foi adornada e enfeitada com esses objetos. E depois, que maravilha! Dezenas de velas foram acesas, uma após a outra, e arrumadas em círculos e espirais até os galhos mais altos, deixando o pinheiro em glória absoluta.
"Ah, isso é tudo o que os mais velhos lá na floresta descreviam, e muito mais", exclamou o pinheiro. Ele fez um esforço enorme para esticar ainda mais os seus galhos enquanto procurava ficar o mais bonito possível. As crianças gritavam e corriam ao redor, enquanto outros tocavam e cantavam; ah, que alegria, especialmente quando uma linda criança, erguida pelo avô, colocou uma estrela de papel no ponteiro bem no alto da árvore.
Naquela noite, depois que as crianças dormiram e o pinheiro cochilava, enquanto o brilho da grande estrela entrava pelas janelas, os mais velhos entraram furtivos na sala com presentes embrulhados em papel pardo liso e bonito, enfeitado com retalhos de pano que eles haviam unido com uma linha colorida de bordar. No consolo da lareira, puseram cavalinhos, porquinhos, patinhos e vaquinhas feitos de maçãs e laranjas, com gravetos enfiados no lugar das pernas, e olhos e focinhos esculpidos de modo a parecer que estavam sorrindo. E todos foram feitos por mãos cheias daquele tipo de amor que deseja surpreender e agradar as criancinhas.
Pela manhã, a árvore acordou sobressaltada quando as crianças entraram correndo, gritando e exclamando:
"Ah, olhem como a árvore está linda, e os presentes ali embaixo." E elas abriam os embrulhos e exibiam belas bonecas de trapos com densas cabeleiras castanhas de lã e vestidos de crochê, feitos a mão. Em seguida, desembrulharam carroças feitas de restos de madeira com rodinhas que giravam de verdade.
Elas arrancaram alegres as castanhas do pinheiro, e a árvore farfalhava os galhos, feliz por participar de tudo com que havia sonhado, e muito mais.
Mais tarde, as crianças tiravam uma soneca no tapete e os adultos também cochilavam. Até mesmo os cães e os gatos estavam adormecidos, a sonhar.
E o pinheiro refletia sobre seu destino incrível e sobre todos os acontecimentos do dia. Estava felicíssimo.
Naquela noite, quando todos estavam na cama e roncando baixinho - o cão e o gato, assim: zzzzzzzzz; as crianças, assim: zzzzzzzzzzzzzzzzzz; e a mãe e o pai e os velhos, assim: ZZZZZZZZZZZZZ - a árvore dormia profundamente também e sonhava com sua nova vida.
No dia seguinte e no outro, a árvore continuou orgulhosa na sala, embora estivesse um pouco desarrumada por ter todas as fitas arrancadas e porque sua estrela estava meio caída sobre um dos seus olhos. Apesar disso, tudo estava uma glória mesmo quando o pinheiro viu que a maioria das crianças e dos adultos subia nos trenós e ia embora. "Ora, estarão de volta hoje à noite", pensou o pinheiro, "e então vão mais uma vez pôr meu tronco machucado numa água fresca e nova.
Vão me decorar de novo, e a festa vai recomeçar."
"Ah", pensou o pinheiro, "como é bom ser bem-vindo. Eu me pergunto se este não é o lugar onde alguns dos meus vieram ao longo dos anos. Ah, espero voltar a vê-los em breve."
Os velhos o tiraram do reboque com mãos cuidadosas. Eles o admiraram, o afagaram, virando-o de um lado e do outro. Mergulharam o tronco cortado da árvore num balde de água fresca que aliviou grande parte da sua dor.
E quando apagaram os lampiões, o pinheiro, que amava a profunda escuridão da floresta, começou a amar também a escuridão daquela casa. Apesar de estar acostumado a ver o céu noturno inteiro, cheio de estrelas, e agora só enxergar um pedacinho de céu através de uma pequena vidraça na janela, havia uma estrela que cintilava mais do que as outras. Ao vê-la, o pinheiro pressentiu a promessa de que muito ainda estava por acontecer.
Com esses pensamentos, ele, como o restante da casa, logo adormeceu num sono profundo e feliz.
Bem cedo na manhã do dia seguinte, houve muito barulho e rebuliço com todo mundo se cumprimentando, se queixando e tagarelando. Alguém estava tirando a poeira do balde de aparas de lenha para enchê-lo ruidosamente. Os cachorros entraram latindo de alegria, seguidos pelas crianças, depois a mãe e o pai, os mais velhos e também outras crianças e amigos, todos trazendo muitas caixas.
A árvore esperava, literalmente prendendo a respiração de tanta emoção.
As pessoas tiraram as tampas das caixas, e dentro delas havia enfeites de todos os formatos e tamanhos, feitos de vidro finíssimo. Havia guirlandas de frutinhas e velas com pequenos papéis coloridos em copinhos de vidro.
Em toda a sua volta, a árvore foi adornada e enfeitada com esses objetos. E depois, que maravilha! Dezenas de velas foram acesas, uma após a outra, e arrumadas em círculos e espirais até os galhos mais altos, deixando o pinheiro em glória absoluta.
"Ah, isso é tudo o que os mais velhos lá na floresta descreviam, e muito mais", exclamou o pinheiro. Ele fez um esforço enorme para esticar ainda mais os seus galhos enquanto procurava ficar o mais bonito possível. As crianças gritavam e corriam ao redor, enquanto outros tocavam e cantavam; ah, que alegria, especialmente quando uma linda criança, erguida pelo avô, colocou uma estrela de papel no ponteiro bem no alto da árvore.
Naquela noite, depois que as crianças dormiram e o pinheiro cochilava, enquanto o brilho da grande estrela entrava pelas janelas, os mais velhos entraram furtivos na sala com presentes embrulhados em papel pardo liso e bonito, enfeitado com retalhos de pano que eles haviam unido com uma linha colorida de bordar. No consolo da lareira, puseram cavalinhos, porquinhos, patinhos e vaquinhas feitos de maçãs e laranjas, com gravetos enfiados no lugar das pernas, e olhos e focinhos esculpidos de modo a parecer que estavam sorrindo. E todos foram feitos por mãos cheias daquele tipo de amor que deseja surpreender e agradar as criancinhas.
Pela manhã, a árvore acordou sobressaltada quando as crianças entraram correndo, gritando e exclamando:
"Ah, olhem como a árvore está linda, e os presentes ali embaixo." E elas abriam os embrulhos e exibiam belas bonecas de trapos com densas cabeleiras castanhas de lã e vestidos de crochê, feitos a mão. Em seguida, desembrulharam carroças feitas de restos de madeira com rodinhas que giravam de verdade.
Elas arrancaram alegres as castanhas do pinheiro, e a árvore farfalhava os galhos, feliz por participar de tudo com que havia sonhado, e muito mais.
Mais tarde, as crianças tiravam uma soneca no tapete e os adultos também cochilavam. Até mesmo os cães e os gatos estavam adormecidos, a sonhar.
E o pinheiro refletia sobre seu destino incrível e sobre todos os acontecimentos do dia. Estava felicíssimo.
Naquela noite, quando todos estavam na cama e roncando baixinho - o cão e o gato, assim: zzzzzzzzz; as crianças, assim: zzzzzzzzzzzzzzzzzz; e a mãe e o pai e os velhos, assim: ZZZZZZZZZZZZZ - a árvore dormia profundamente também e sonhava com sua nova vida.
No dia seguinte e no outro, a árvore continuou orgulhosa na sala, embora estivesse um pouco desarrumada por ter todas as fitas arrancadas e porque sua estrela estava meio caída sobre um dos seus olhos. Apesar disso, tudo estava uma glória mesmo quando o pinheiro viu que a maioria das crianças e dos adultos subia nos trenós e ia embora. "Ora, estarão de volta hoje à noite", pensou o pinheiro, "e então vão mais uma vez pôr meu tronco machucado numa água fresca e nova.
Vão me decorar de novo, e a festa vai recomeçar."
.... amanhã tem mais...
"É no meio da aflição que tantas coisas ficam claras.
Quem diz que nada de bom resultou disso ainda não está escutando."
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