domingo, 11 de junho de 2017

As minhas e as outras histórias com Nyedja Gennari, é daqui a pouquinho!!!


quarta-feira, 31 de maio de 2017

PROGRAMAÇÃO ESPECIAL/ CASA TOMBADA - ESPAÇOS HABITADOS

Workshop (30 de maio| terça feira| 19h30 às 22h30) – Dar a palavra ao lugar

A coreografa e professora da técnica Feldenkreis Sibylla Klein, a atriz e contadora de histórias Leticia Liesenfeld e a contadora de histórias Julia Klein experimentam conexões entre o trabalho corporal e a narração oral. O workshop propõe questões à volta de como se pode lidar com o espaço durante a narração. Como o espaço pode alterar o desenvolvimento da história? O que nos conta o movimento mesmo antes de pronunciada a primeira palavra? A base do wokshop parte de textos do livro Träume von Räume, do francês Georges Perec.
valor: R$ 120,00


Conversa aberta sobre a Residência Artística Espaços Habitados (2/06 | sexta-feira | 19h | entrada gratuita)
Espaços Habitados é um conceito de performance que integra multilinguismo, dança, narração de histórias e a relação com o espaço. Nasceu da ideia de partilhas de experiências, individuais e coletivas, em relação à diferentes espaços. As diferenças e semelhanças entre linguagens e as paisagens sonoras que a linguagem pode criar é uma fonte de investigação. As conexões neurológicas criadas no processo de orientação individual em um contexto cultural inicialmente desconhecido e com uma língua estrangeira está proximamente relacionado ao modo de encontrar caminhos dentro de uma estrutura arquitetônica, e construções como cidades, outras construções ou um ambiente desenvolvido organicamente. Que tipo de marcas, vestígios se apresentam na performance a partir do seu lugar de realização? Como este lugar se altera aos olhos e na memória dos espectadores?


Sessão de contos - em português/alemão (03 de junho| sábado | 20h)

A quem pertence a cabeça sem corpo? Será a vontade de ver o mar forte o bastante a ponto de nos lançar numa viagem? Como reagiriam os animais da floresta ao grito assustado da lebre? As contadoras de histórias brincam com palavras e gestos. O espaço e a cabeça são preenchidos pouco a pouco pelas histórias. Contam em português e em alemão, de forma a que todos percebam ainda que não a mesma coisa…
valor: R$ 20,00

A Casa Tombada

PROGRAMAÇÃO A CASA TOMBADA

Ciclo de oficinas Cuidar da voz

Ciclo de quatro oficinas para cuidar da escuta e da voz. Como confluência de interesses e percepções de quatro profissionais que têm seus trabalhos voltados para a voz, o ciclo será dividido em quatro encontros, cada um, um respiro dentro da cidade, um lugar para a voz própria, a criação, o cuidado, descobertas e conexões entre voz e escuta. Como uma casa que abre seus espaços – em formato de imersão - cada encontro propõe o aprofundamento do que é a voz, tanto no espaço individual quanto no coletivo.

Voz, Desvendar e Expressão, com Ritamaria
Dia 03 de junho de 2017, sábado, das 9h às 16h30
Vivência que propõe o encontro com a expressão e criatividade individual e coletiva através da voz. O ponto de partida é a escuta, que se amplia do ouvido ao corpo, através da pele, ambas conectadas pelo ar; escuta que re-conhece e cuida de cada canto da voz, individual e coletivamente. Cada voz é única e reflete toda a unicidade do ser. Todo som é incluído, toda voz é escutada. Abrir-se para escutar o outro é abrir-se para escutar a si mesmo. Abrir-se para o canto do outro é abrir-se para o próprio cantar. E juntos cantamos. São fontes de inspiração e referências para esse trabalho: Escola do Desvendar da Voz; Eutonia; Murray Schafer; Paul Zumthor; Adriana Cavarero; Stenio Mendes; Augusto Boal.

Ritamaria é cantora, compositora, educadora musical, curiosa, pesquisadora, provocadora, performer, dançadeira, errante, instigada pelo som, pela escuta, ouvidos atentos, ativos, ávidos, vivos. Do som para o corpo, do corpo para a voz, a voz no corpo, corpo e voz no espaço. Atua como educadora musical, preparadora vocal, facilitadora de processos coletivos, oficineira e performer. Licenciada em música pela Universidade de São Paulo desde 2015. Seu trabalho como educadora já percorreu diversos países da América Latina (Costa Rica, 2014; Guatemala e El Salvador, 2015; Peru, 2016 e Argentina, 2017) e Estados brasileiros (MT, MG, SP).
Valor: R$ 90,00



A Casa Tombada
11 3675 6661




Ensaios ignorantes - ensaio da experiência de Montaigne em A Casa Tombada

No dia 16 
de JULHO,
 nos Ensaios ignorantes atravessaremos juntos o ensaio Da experiência 
,
 de 
Montaigne 
, em A Casa Tombada
 . 
Por favor,  
divulguem, INSCREVAM-SE 
e apareçam. Será uma leitura coletiva e ninguém é obrigado a nada. Vejam o flyer a 
baixo
 .  
80 VAGAS!


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Quem ama cuida: dicas para conservação de livros e acervos - Publicado por SESC


Já não é segredo que hoje existem inúmeras possibilidades pra quem busca uma boa leitura, seja ela alimentada por bateria, brilho de tv, fresta da porta, luz de vela, sol...
Também não é segredo que existe uma legião de pessoas que optam pelo livro físico, pelo prazer em colecionar, levar seus amores consigo e admirá-los a qualquer hora nas estantes e prateleiras.
Emprestar, às vezes, nem pensar! Tudo bem, o ciúme é aceitável nas relações de amor. Já que quem ama cuida, pegamos algumas dicas com a Vera Lúcia Cóscia - especialista em organização de arquivos pelo I.E.B/USP - para manter livros e acervo sempre em dia:
•    Não manusear livros ou documentos com as mãos sujas;

•    Limpá-los com flanela branca, pincel largo (trincha) folha a folha, sempre de baixo para cima (um só sentido);

•    Não manter plantas aquáticas, guarda-chuvas e capas molhadas junto ao acervo;

•    Evitar infiltrações e goteiras junto à coleção;

•    Em dias muito úmidos, evitar abrir as janelas;

•    Não fumar e realizar refeições em prédios/salas que guardam acervos;

•    Não usar fitas adesivas, colas plásticas (use metilcelulose), grampos e clipes metálicos nos livros;

•    Nunca usar carimbos sobre ilustrações e/ou textos. Jamais usar caneta tinteiro ou esferográfica nas anotações;
     
•    Quando necessário, usar lápis de grafite macio;

•    Não dobrar as folhas do livro, formando orelhas, pois ocasiona o rompimento das fibras;

•    Usar marcadores próprios evitando efetuar marcas e dobras;

•    Não retirar o livro da estante puxando-o pela borda superior da lombada;

•    Os livros devem permanecer em posição vertical. Nunca acondicioná-los com a lombada para baixo ou para cima;

•    Usar bibliocanto para evitar o tombamento dos livros;

•    Nunca manter as estantes campactadas;

•    Fazer o transporte dos livros em carrinhos especialmente construídos para este fim. Não superlotá-los no ato do transporte;

•    Nunca umedecer os dedos com líquidos para virar as páginas do livro. O ideal é virar pela parte superior da folha;

•    Não apoiar cotovelos sobre os volumes de grande porte durante a leitura;

•    Não fazer anotações particulares em papéis avulsos e colocá-los entre as páginas de um livro. Eles deixarão marcas;

•    Evitar tirar cópias de livros encadernados. Esta prática, danifica não só a encadernação como também o papel;

•    Não utilizar espanador e produtos químicos na limpeza do acervo e biblioteca, use trincha em local afastado das estantes;

•    Os volumes devem estar de pé, com certo afastamento para a retirada segura e firme dos mesmos;

•    Evite armazenar os livros onde há incidência direta de luz natural ou artificial;

•    Evite armazenar os livros em área sujeita à poluição atmosférica, fumaça, etc. pois elas ficam depositadas nos livros.


Limpeza e conservação nas estantes:
Nas estantes, a limpeza das prateleiras e volumes deverá ser de cima para baixo e da esquerda para direita;

•    As prateleiras com volumes deverão ser limpas com um pano levemente umedecido em uma solução de água (70%) e álcool , e em seguida, deve-se passar outro pano seco;

•    Aguardar a secagem total para depositar novamente os livros  na prateleira;

•    Não utilizar qualquer tipo de produto químico, como lustra-móveis, detergentes, óleo de peroba, etc. pois os mesmos transferem oleosidade e odor aos livros;

•    Manter as estantes ao menos 5cm de distância das paredes, a fim de possibilitar a circulação de ar e distanciar da umidade das paredes.


domingo, 19 de março de 2017

O Dia Internacional do Contador de Histórias - 20 de Março!! E tem muitas histórias...



O Dia Mundial do Contador de Histórias foi inicialmente organizado por um grupo de contadores de histórias na Suécia, no dia 20 de Março de 1991. Desde então, vários contadores de diferentes países de todo o Mundo têm vindo a juntar-se a esta celebração conferindo-lhe uma escala global.

Este dia é celebrado no Equinócio de Primavera no Hemisfério Norte e no Equinócio de Outono no Hemisfério Sul. Todos os anos é escolhido um tema que pode ser consultado no site oficial. Para 2017 o tema é a Transformação.


Para participar nas celebrações, basta organizar nesse dia ou nos dias que lhe próximos, uma ou mais sessões de contos.
Se não for profissional na área, não faz mal, conte uma história aos amigos, vizinhos, familiares, alunos, professores, colegas de trabalho, ao chefe, ou até mesmo a um total desconhecido no transporte público ou na rua.


O que interessa é que se conte histórias porque através delas criam-se laços e fortalecem-se amizades, tornando a sociedade mais empenhada e coesa.



Aventuras de Hércules... que trabalheira!! Com a Cia. Hespérides


E hoje o dia foi uma delícia, em lindas companhias, brincamos, cantamos, contamos histórias da mitologia grega, foi bárbaro:












segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Poesia Celta



"Que haja sempre um trabalho para que suas mãos façam
Que sua bolsa sempre contenha uma moeda ou duas
Que o sol sempre brilhe pelo vidro da sua janela
Que a mão de um amigo esteja sempre perto de ti
Que os deuses encham teu coração com alegria para animar-te"."

"Que tenha uma parede para guardar-te do vento
Um teto para proteger da chuva
Bebida ao lado da lareira e o riso para animar-te
Que aqueles que ama sempre estejam próximos
Que alcance tudo o que seu coração desejar."

"Que o caminho seja brando sob os teus pés,
O vento sopre leve em teus ombros
Que o sol brilhe cálido sobre tua face,
As chuvas caiam serenas em teus campos
E até que eu de novo te veja,
Que os deuses te guardem nas palmas de suas mãos."

"Que estradas apareçam indicando o destino
Que o vento sempre impulsione seus passos
Que o sol brilhe sempre em suas aspirações
Que a chuva se precipite, gentilmente, sobre sua lavoura
E, até que nos encontremos novamente,
Possa você estar amparado pelas mãos dos deuses!"

"Que os deuses o protejam,
E, o abençoem
E que os problemas o ignorem,
Em cada passo do seu caminho."

"Que seus bolsos estejam plenos
Bem como seu coração, leve
Que a boa sorte o persiga sempre
Em cada manhã e a cada pôr-do-sol!"



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O mundo além das palavras - Jalal ud-Din Rumi

Descobri este poema por acaso neste belíssimo vídeo com Letícia Sabatella e Marcus Viana. O autor, Rumi, foi um sufi (corrente mística do islamismo) e viveu no século XIII, na Turquia e, com leveza e sabedoria nos diz: "para mudar a paisagem, basta mudar o que sentes".
Que estamos sentindo hoje, aqui e agora? Que paisagens nos compõem? Que outro mundo será esse? Exite? Qual é o mundo dos sonhos? Qual é o mundo dos devaneios, da imaginação, da poesia, das histórias, das palavras que entram e que saem, de Deus ... do paraíso, de todas essas paragens?
Fique a vontade para compartilhar comigo quais são as palavras que te habitam e se quiser, busque o livro: POEMAS MÍSTICOS - JALAH ud-Din Rumi - Editora Attar.




O mundo além das palavras 

Dentro deste mundo há outro mundo 
impermeável às palavras. 
Nele, nem a vida teme a morte, 
nem a primavera dá lugar ao outono. 
Histórias e lendas surgem dos tetos e paredes, 
até mesmo as rochas e árvores exalam poesia. 
Aqui, a coruja transforma-se em pavão, 
o lobo, em belo pastor. 
Para mudar a paisagem, 
basta mudar o que sentes; 
E se queres passear por esses lugares, 
basta expressar o desejo. 
Fixa o olhar no deserto de espinhos. 
– Já é agora um jardim florido! 
Vês aquele bloco de pedra no chão? 
– Já se move e dele surge a mina de rubis! 
Lava tuas mãos e teu rosto 
nas águas deste lugar, 
que aqui te preparam um fausto banquete. 
Aqui, todo o ser gera um anjo; 
e quando me veem subindo aos céus 
os cadáveres retornam à vida. 
Decerto vistes as árvores crescendo da terra, 
mas quem há de ter visto o nascimento do Paraíso? 
Viste também as águas dos mares e dos rios, 
mas quem há de ter visto nascer 
de uma única gota d’água 
uma centúria de guerreiros? 
Quem haveria de imaginar essa morada, 
esse céu, esse jardim do paraíso? 
Tu, que lês este poema, traduze-o. 
Diz a todos o que aprendeste 
sobre este lugar. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

E viva Yemanjá - Iemanjá - Yemonjá!!!


A Senhora dos Oceanos.

Trabalha em favor do amor, da família e a educação das crianças, além da maternidade.
Conta o mito da criação, que dos seios fartos de Iemanjá, brotaram os oceanos e com ele os orixás seus filhos: Exú, Ogum, Oxossi, Xangô e Oxum.
Yemonjá, grande orixá das águas, era filha de Olokun, o senhor dos oceanos.
Era possuidora de um grande instinto maternal, que fez dela mãe de dez filhos.
Embora casada, não tinha grande apego por seu marido. Às vezes, pensava em deixá-lo, mas ele era um homem muito importante e poderoso, e não permitiria tal desonra. Yemonjá também pensava no bem-estar de seus filhos, não podendo deixá-los desamparados.
Seu marido usava o poder com tirania, inclusive com sua família, tornando a vida dela insuportável. Ela não agüentava mais se submeter aos caprichos de um homem que ela desprezava.
Ela procurou seu pai para aconselhar-se sobre a atitude que deveria tomar. No fundo, ela já estava decidida a fugir, mas precisava de seu apoio. Olokun não a recriminou, pois ela era uma soberana e, como tal, não poderia aceitar o jugo de ninguém. Ele, então, deu à sua filha uma cabaça com encantamentos, para que ela usasse quando estivesse em perigo.
Yemonjá colocou seu plano em prática, fugindo com todos os seus filhos.
Quando ela já estava bem longe de sua aldeia, viu que estava sendo perseguida pelo exército de seu marido. Pensou em enfrentá-los, mas eles eram muitos e seria uma luta desleal. Yemonjá odeia os confrontos, pela destruição que causam, já que é um orixá propagador de vida.
Quando se sentiu acuada, resolveu abrir a cabaça e pedir socorro ao seu pai. Do seu interior escoou um líquido escuro, que, ao tocar o chão, imediatamente formou um rio, que corria em direção ao oceano.
Foi nessas águas que Yemonjá e seu povo encontraram um caminho para a liberdade.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O rio corre para todos - conto da tradição judaica






Isaac era um próspero comerciante, dono de um bem sortido armazém na cidade de Kabul.
Um dia, viu com espanto e desagrado que outro armazém ia ser inaugurado no mesmo bairro.
Naquela noite, Isaac não dormiu, incomodado pelos mais sombrios pressentimentos a respeito do novo concorrente. Inseguro quanto ao futuro, na manhã seguinte foi procurar um rabino, a quem confessou seus temores.
- Você não tem com o que se preocupar. Eu vou lhe contar uma coisa: você já viu o cavalo que vai beber água no rio?
- Sim, por quê?
- Já reparou em como ele às vezes relincha e bate os cascos, escavando a terra à beira da água?
- Deve ser porque está louco para beber água.
- Não. É porque vê na água cristalina a sua imagem. Pensando tratar-se de um outro cavalo que vai beber sua água, tenta espantá-lo e, com isso, enlameia a água, antes límpida. Ele não sabe que o seu inimigo é ele mesmo e que, mesmo que houvesse outro cavalo, a água do rio seria suficiente para todos.
Se soubesse disso, estaria mais confiante e beberia uma água mais pura.

E completou:

- Assim, volte para casa sossegado, meu bom Isaac. Não permita que seu próprio medo estrague seus negócios. Lembre-se de que a prosperidade é como um rio inesgotável, que jorra para todos os que têm sede.


O homem que contava histórias 
Rosane Pamplona e Sônia Magalhães


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Contar é a arte da relação - Cristina Taquelím - Palavras Andarilhas

Cristina Taquelim dedica a sua actividade profissional à promoção da leitura e à arte de contar. Co-organizadora do conhecido encontro internacional «Palavras Andarilhas» – que este ano o Município de Beja e a sua Biblioteca promoverão, uma vez mais, entre os dias 25 e 28 de Agosto –, é também autora de livros para a infância. Tudo boas razões para uma conversa.



Continua a dar-se, quase por inteiro, à promoção da leitura no concelho de Beja, como uma espécie de braço-armado-de-livros da Biblioteca, que percorre escolas, instituições, lugares diversos. Ultimamente o seu trabalho alarga-se aos mais idosos. É possível pô-los a ler, ou pelo menos a manterem-se activos e a viverem num ambiente de literacia? Qual é o seu propósito principal, nesse âmbito?
A minha vida profissional está profundamente marcada pelo trabalho que desenvolvo desde 1988, no concelho de Beja, enquanto técnica da Divisão de Bibliotecas e Museus do Município.
Tive o privilégio de integrar desde a primeira hora a equipa do Figueira Mestre e contribuir para a estratégia que desde sempre norteou o nosso trabalho: «Uma biblioteca ao serviço do leitor». A promoção da leitura sempre foi a minha área de intervenção, dentro da organização, procurando caminhos e sentidos, coordenando uma pequena equipa que se foi qualificando para cumprir aquele que creio ser o grande desígnio das bibliotecas: «Criar e alimentar comunidades» (não é minha a frase, mas sei que a ouvi algures).
Em 2009, o Município lançou um novo programa de Leitura em Meio Rural que permitiu melhorar a resposta às comunidades rurais e integrar alguns projectos junto de novos públicos. Ampliando trabalho junto de grupos em situação de isolamento e exclusão social, apostando numa intervenção regular e continuada. É esse o contexto do projecto «Conversas Andarilhas» que desde 2009 se desenvolve junto de grupos de idosos e que ganha novo fôlego, a partir de 2012, graças a um projecto apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Esta linha de trabalho desenvolve-se na base de encontros regulares com grupos de idosos, em que se conversa em torno de livros, contos, mas sobretudo histórias de vida. São momentos importantes de quebra de isolamento, de estimulação cognitiva, de valorização da memória e identidade destes homens e mulheres. Tentamos trabalhar cruzando o oral e o impresso, os textos da cultura popular com os da esfera literária, as memórias do vivido com as memórias do ficcionado. As competências leitoras de cada grupo, o seu grau de autonomia, a história de cada um dos seus elementos são os pontos de partida. A eles junta-se a capacidade relacional de cada dinamizador. Estamos a falar de um trabalho de relação que assume uma natureza ora mais performativa, ora mais participada, mas sempre centrado na palavra, na imagem, no livro. Temos quem leia romances, quem prefira o Almeida Garrett ao Mário de Carvalho, quem leia almanaques, bíblias, páginas de poesia dos jornais locais, quem só goste de biografias e também quem não leia nada e apenas venha para estar à conversa.
Conversamos muito sobre o que sabemos, pensamos e sentimos e ficamos surpreendidos com a maneira como os escritores falam do mundo: como o Manuel da Fonseca contou, em Seara de Vento, a história do Cantinho da Ribeira, como a Isabel Minhós Martins fala do Alqueva no livro O que vês dessa janela, como o António Mota fala desses Outros Tempos ou dos dramas de A Casa das Bengalas. Partilham-se memórias em torno de romances, adivinhas, adágios, trava-línguas escutados na infância. Identificamo-nos com as descrições de Eduardo Olímpio sobre os bailes e funções na serra. Lemos poemas e conversamos sobre as letras de fados e canções. Há quem só venha cantar. Há quem apenas siga a sessão com os olhos por incapacidade motora de comunicar. Cantamos muito para espantar tristezas e medos.
A Biblioteca de Beja, com todo o seu savoir faire, Cristina, prepara-se para, uma vez mais, pôr de pé o encontro «Palavras Andarilhas» – que se tornou uma espécie de imagem da marca da cidade e o principal pólo português da arte de contar e ouvir contar. Quer partilhar connosco algumas notícias frescas?
Um savoir faire, como sabem, feito de muitas cumplicidades e da permanente procura de sentido para este projecto. Ele reflecte o trabalho da biblioteca e sinaliza o caminho para os anos seguintes. Contar e ouvir contar constitui o centro das Andarilhas, mas elas sublinham a importância do trabalho com a palavra nas suas múltiplas dimensões, oferecendo-se como um espaço de aprendizagem e troca de experiências de muitos mediadores de leitura que trabalham nas redes de leitura portuguesas. Do programa deste ano, que se desenvolve entre 25 e 28 de Agosto, destacaria, como temas de fundo, as questões do maravilhoso na tradição oral, a mediação da leitura na infância e juventude, sublinhando alguns géneros menos discutidos e que parecem constituir-se como boas ferramentas para os mediadores: poesia e micro-ficção. As conferências, tertúlias e oficinas cruzam-se com um novo projecto, Festival de Contos do Mundo, que contará com a presença de um bom painel de narradores nacionais e estrangeiros. O Jardim Público será nestes dias o coração da cidade dos contos, mas a oferta de actividades expande-se pelo centro histórico da cidade e freguesias rurais.

Qual continua a ser para si o principal sentido do contar e ouvir contar?
Independentemente da idade, do contexto, das competências e saberes, contar é a arte da relação. Posta ao serviço de uma estratégia de promoção de leitura, ela serve o desenvolvimento da linguagem: veja-se o papel das adivinhas no desenvolvimento de processos de antecipação leitora, das lengalengas no desenvolvimento da consciência fonológica, dos contos cumulativos e outros, na construção de esquemas narrativos. Contar e ouvir contar constitui um espaço e um tempo de reflexão sobre as metáforas do mundo e da vida, mapeando valores, emoções e afectos. Ouvir contar apoia o desenvolvimento da escuta e da memória, sem as quais não existe aprendizagem, bem como a organização de enunciados orais, de mecanismos expressivos.
Mas contar e ouvir contar também são apenas lazer, fruição, colo e embalo.

É por causa desse mesmo sentido que passou à escrita, com livros sobretudo para os mais novos, como Malaquias (RHJ, 2007), Na minha casa somos sete (Pé de Página Editores, 2009), Uma casa na Lua (Paulinas Editora 2011), Corrupio (Editora Lê, 2013)?
Nasci numa casa de palavras e sempre escrevi muito e irregularmente, para a gaveta e mais tarde por necessidades de profissão. As minhas discretas incursões no mundo da edição surgiram por curiosidade e incentivada por aqueles que me amam. Fracos motivos para editar, como vêem. Suponho que o facto de ter uma forte relação com a oralidade e com a literatura para a infância também tenha influenciado. Em quase tudo o que publiquei está presente aquilo que eu sou, aquilo que penso, e fi-lo com verdade. Às vezes os textos são apenas brincadeiras de dizer, encontro-lhes hoje muitos defeitos e outras tantas virtudes, algumas até ao revés do cânone literário. As histórias rimadas da minha avó são uma voz de fundo de quase todos os textos. A minha história, também a leitora, fez o resto.

Corrupio, o mais recente, editado no Brasil, o que é? Diga-nos nas suas palavras.
É um pequeno álbum, ilustrado pela Elisabeth Teixeira e publicado pela editora brasileira Lê, que contou com o apoio da DGALB. Uma história sobre o desejo e onde ele nos leva. Uma metáfora sobre a descoberta da vida, sobre o amor. Está «prescrito» – ironizo – para pré-leitores, mas a leitura em voz alta apenas do texto pode oferecer uma recepção interessante junto de outros públicos. 

Em sua opinião, este mundo perigoso, socialmente injusto e desigual, em que estamos a viver, reclama o contar e o ouvir contar?
O mundo nunca foi justo e está cada vez pior! – dizia no outro dia, do alto dos seus 90 anos, uma leitora de biografias. Os contos dão-lhe razão. Veja-se os textos do património imaterial,